Rota do Românico


Torre dos Alcoforados



Para além da questão sobre a designação da Torre, popularmente conhecida por “Torre dos Mouros”, “Torre de Lordelo” ou “Torre Alta” e oficialmente por “Torre dos Alcoforados”, uma outra discussão diz respeito aos fundadores deste imóvel.


As opiniões dividem-se. Enquanto Felgueiras Gayo e Alão de Morais afirmam que esta Torre seria o solar dos Alcoforados, já A. de Almeida Fernandes aponta a sua fundação para o clã demilites Brandão, da baixa nobreza que aqui possuía haveres num período mediado entre os séculos XII e XIII.

Acontece que, para os séculos que compõem a Idade Média, as fontes são inconclusivas. Será necessário esperar pelo século XVIII para acedermos a informações mais detalhadas sobre a sua propriedade.

Segundo o padre António Carvalho da Costa, no ano de 1706, era senhor da Torre, um Pedro Vaz Cirne de Sousa, filho de Manuel Cirne Soares e Antónia de Sousa Alcoforado. Era militar, vereador do Porto e escritor. Este herdou o imóvel de sua mãe, neta de Gonçalo Vaz Alcoforado e de Margarida de Sousa, que viveram no século XV.

Margarida de Sousa descendia dos de Urrô, pois fora sua bisavó Inês Vasques (dita de Urrô), que viveu provavelmente na segunda metade do século XIII. Esta família estava ligada aos Brandões, através do casamento de Teresa Fernandes, filha de Ximena Dias de Urrô, com Martim Brandão.

Resta acrescentar que D. Ximena era irmã de um avoengo da referida Margarida de Sousa, por onde seguiu a representação dos Alcoforados e o senhorio da Torre, que talvez nem tenha sido obra dos ditos Brandões, mas sim de indivíduos do círculo familiar dos de Urrô, depois diluídos em Brandões e estes em Alcoforados.

Seguramente construída após 1258, a Torre insere-se na designada domus fortis ou  residência senhorial fortificada. Este tipo de residência segue a arquitetura militar das torres de menagem, mas usando-as para funções civis, de habitação.

Mas, ao empregarem o desenho militar, associavam a elas e por intermédio delas, uma família, uma imagem de poder e de demonstração de força. Como resultado, estas torres residenciais acabaram por ser utilizadas por famílias nobres em plena afirmação e ascensão. Ou seja, a Torre dos Alcoforados representa o poder de uma família sobre um determinado território na sua zona circundante.

Foram, sobretudo, as linhagens de segundo plano, os milites aspirantes a ricos-homens quem, de início, adotaram esta solução arquitetónica da domus fortis para encabeçar os seus domínios.

No entanto, com o passar do tempo e a dispersão dos seus senhores entre famílias portuenses e do Entre-Douro-e-Minho, ou seja, o afrouxamento de uma dada linhagem senhorial, esta Torre foi perdendo a sua função principal, devendo ter ficado desabitada desde muito cedo.

Perdida que estava a ideia de controlo territorial, o imóvel acabou por se converter num edifício devoluto e fortemente afetado pelas construções que se foram fazendo em seu redor.



Saiba mais sobre a Torre dos Alcoforados